domingo, 29 de junho de 2014

O Maravilhoso Programa de Doze Passos

Bom dia amigos.
Gostaria de dedicar hoje ao blog um assunto muito conhecido dos dependentes químicos e seus familiares, o Programa de Doze Passos, mas além dos dependentes existe pessoas que sequer tem conhecimento deste programa ou mesmo sabem de sua existência, porém não tem conhecimento de sua dinâmica por isto resolvi falar sobre o assunto.
Há anos venho acompanhando direta e indiretamente inúmeros milagres acontecendo através de salas de mútua-ajuda e instituições de recuperação com aplicação de um programa de doze passos.
Este programa apresenta particularidades muito interessantes, ele é um programa muito diferente dos demais programas de tratamento, porque ele engloba 3 facetas importantíssimas para o sucesso de um tratamento não só para a dependência química quanto a inúmeras dificuldades humanas: Espiritualidade, Comportamento e Psicologia.
Estes 3 pontos são chave para qualquer situação de recuperação, para qualquer tipo de doença e sua aplicação cabe a todas as áreas da vida de todo ser humano, ele se aplica à vida pessoal, social e profissional e essa é a grande maravilha deste programa.
Entendemos que originalmente o programa foi criado na década de 30 do século pasado para o tratamento do alcoolismo, mas através dos tempos sua aplicação foi sendo percebida como eficaz para outros tipos de dependências e problemas.
A espiritualidade é o carro chefe do programa, pois ele é um programa baseado em princípios espirituais, mas não religioso. Todos os doze passos possuem princípios espirituais que atuam de forma particular e auxiliam nas outras duas facetas do programa a comportamental e a psicológica.
Alguns destes princípios são: honestidade, mente aberta, boa vontade, admissão, aceitação, rendição, crença em um poder superior, entrega, coragem, sabedoria, perdão, reparação, observação e atenção, meditação e muitos outros.
Se você observar atentamente estes princípios perceberá que são todos de aplicação infinita, ou seja sevem para todos os tipos de problemas ou situações.
A aplicação por exemplo do princípio da boa vontade ajuda a pessoa a buscar mudanças significativas em sua vida, mudanças estas tanto psicológicas quanto comportamentais que trarão inúmeros benefícios e melhorias na sua qualidade de vida.
A mudança da forma de pensar ou padrão psicológico é fundamental para a melhoria de todo ser humano, ele precisa modificar padrões negativos e ilusórios para padrões positivos e reais sobre si mesmo e a vida e temos no programa diversos princípios para isto como a mente aberta, por exemplo.
Cada passo do programa trata de uma ou mais dificuldade da pessoa e exige uma aplicação específica em cada um deles e hoje apenas passarei a dinâmica básica do programa de forma livre não focada em um problema específico e em outros posts aprofundarei cada um dos dozes passos.
O programa basicamente funciona assim:
1º passo – Admitir o problema e aceitar que sua vida está descontrolada por causa deste problema;
2º passo – Acreditar que existe um poder superior a você que pode te ajudar a encontrar soluções e sair da insanidade do problema;
3º passo – Entregar a condução da sua vida a este poder maior pois ele é competente para conduzir sua vida;
4º passo – Fazer um inventário profundo e destemido de sua vida para poder fazer uma análise embasada do que precisa ser modificado psicologicamente e comportamentalmente;
5º passo – Relatar e assumir esta vida como um todo;
6º passo – Ficar pronto para Deus remover estes defeitos e iniciar mudanças;
7º passo – Humildemente pedir a ajuda de Deus para mudar;
8º passo – Listar reparações a serem feitas;
9º passo – Fazer estas reparações;
10º passo – Através de um inventário diário procurar avaliar honestamente seu processo e admitir prontamente os erros deste dia para que não se tornem problemas no futuro;
11º passo – Através de prece e meditação melhorar seu contato com o poder superior e buscar conhecer a vontade dele para sua vida;
12º passo – Atingir um despertar espiritual através da aplicação destes passos, levar a mensagem de transformação ou solução do problema e aplicar os princípios em outros setores de sua vida.

Faço uma ressalva sobre a aplicação do programa de dozes passos, cada passo precisa ser trabalhado se possível em sua ordem e sem pressa, o ideal é que dedique o tempo necessário para o total conhecimento e dinâmica de aplicação de cada passo antes de ir para o próximo, os passos não possuem tempo de execução. Não pule nenhum passo principalmente os 3 primeiros pois são os passos de preparação para a profundidade necessária para a liberdade. Não espere resultados imediatos pois as mudanças requerem tempo para apresentarem resultados e não pare de praticar quando os resultados aparecerem, lembre-se que os resultados são frutos da aplicação e o sessar das aplicações implicam no sessar de resultados.

Espero ter ajudado a vocês. Não esqueçam de deixarem seus comentários pois eles são importantes para a melhoria e qualidade das postagens.

Boa semana a todos. Até o próximo post.

OBS: Para postar comentário é preciso participar deste blog.

domingo, 15 de junho de 2014

A Copa e o Copo - Perigo A Vista

Olá meus amigos, hoje pretendo falar de um assunto que muito me preocupa A Copa do Mundo e o que ela pode causar ao dependente químico.
Sabemos que para o dependente químico tudo é motivo para usar drogas e/ou beber e a Copa é uma grande oportunidade ou desculpa para ele e por isto minha preocupação.
Lembro a todos vocês que a o comportamento do dependente está pautado em seus sentimentos, então a euforia, ansiedade, expectativa, depressão, frustração, decepção e outros são impulsionadores do seu comportamento. Aí venho com a pergunta: o que sentimos antes, durante e após uma partida de futebol da nossa seleção? Não são estes os sentimentos?
Você pode estar se perguntando, mas estes também não são os mesmos sentimentos do dia-a-dia nosso? Sim, são os mesmos, mas existe uma diferença agora e esta diferença pode ser danosa se não estivermos atentos ou conscientes dela, a saber, todos estão tomados por estes sentimentos, todos estão torcendo para alguma seleção, todos estão esperançosos com o título, todos estão vivendo sobre uma expectativa e consequentemente estão vivendo entre a euforia e depressão, não é verdade?
O que é complicado nisto tudo? O complicado é que todo o país, todo dependente quanto seus familiares e amigos estão vivendo isto. São festas, churrascos, baladas, bate papos de boteco, portão, entre amigos e comemorações o tempo todo porque é Copa do Mundo gente!
Todos sabemos que na maioria das famílias o importante é ter bebida para a comemoração e alguns familiares de dependentes podem estar cometendo o erro de tentar supervisionar o dependente em um evento como estes citados, mas como fica para ele estar em um ambiente deste? Como acha que ele vai se sentir já que ele não pode comemorar como todo mundo?
Acredito que a Copa do Mundo pode ser um pano de fundo muito perigoso por estes motivos.
Mais cedo ou mais tarde vamos comemorar a vitória e isto fazemos com festas e festas movidas a bebidas e possivelmente drogas, mas o triste é que a derrota também será absorvida da mesma forma com bebida e drogas porque esta é nossa cultura e principalmente a do dependente.
O dependente químico sempre utilizou de álcool e/ou drogas para lidar com seus sentimentos, então o que acha que pode acontecer?
Alerto aos pais para que fiquem atentos aos eventos que pretendem organizar durante a Copa, eles podem se transformar de festa para pesadelo. Não transforme seu lar em um local de ativa. Lembro que o restante das pessoas não estão nem ai pro seu problema e estarão festejando ou afogando suas mágoas, você querendo ou não, por isto procure não ser você um facilitador para o dependente.
Você dependente não se iluda, fique atento e encontre alternativas para se prevenir e não ser engolido por tudo isto. Faço algumas sugestões para vocês:
1 – Lembrem-se que a impotência perante o álcool e as drogas é real e não existe controle algum sobre isto.
2 – Você é apenas expectador do evento você não exerce influência alguma no resultado.
3 – Depois do resultado definido não adianta mais nada porque nada vai mudar se você beber ou usar drogas.
4 – Seja inteligente e comemore com pessoas que não apresentam riscos a sua sobriedade e de forma a realmente se divertir consciente, se der errado seus planos de comemorar uma vitória lembre-se do item acima.
5 – Bebidas = Água, Sucos e Refrigerantes são os indicados.
6 – Peça ajuda caso alguma coisa estiver errada como situações não assertivas/disfuncionais e principalmente no caso de fissura.

Espero ter ajudado a vocês. Até o próximo post.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Codependencia e Amor Exigente

Olá pessoal, primeiramente informo que por motivos técnicos não pude postar antes mas conforme já venho fazendo há 2 semanas aqui no blog escreverei um pouco mais sobre Codependência. O assunto não será esgotado, mas a partir do que venho falando acredito que deu para ter uma noção do quanto a doença afeta toda a família.
Todos os membros da família têm um papel essencial na recuperação do dependente e para que isto dê certo é preciso modificar e organizar a dinâmica familiar e esta é uma tarefa muito difícil já que todos os envolvidos estão emocionalmente fragilizados e com dificuldade em ver uma saída. Esta dinâmica disfuncional da família tem como base o controle da vida alheia, transferências de responsabilidade, sinalização dos erros do outro como forma de defesa e facilitações e isto impede que família exerça um papel adequado e eficaz.
Não só o(s) codependente(s), mas a maioria dos seres humanos têm dificuldades em assumir suas falhas, seus erros e admitir suas impotências e fragilidades fazendo assim que os comportamentos disfuncionais se perpetuem em suas personalidades. Esta proteção psicológica faz com que as pessoas passem a viver de duas formas distintas, vivendo baseadas no seu egocentrismo ou em função dos outros para não terem que olhar para si mesmas. Este segundo é o que acontece na maioria das vezes aos pais e cônjuges de dependentes.
A pessoa codependente deixa de olhar para sua vida, passa a viver em função de controlar a vida do outro e deixa de fazer as coisas que gosta por conta da outra pessoa. É uma forma de afastamento de si, negando seus problemas e voltando-se para a vida do outro. Este afastamento de si traz consigo comportamentos facilitadores para o desenvolvimento da própria dependência, por limitarem a autonomia do outro.
É comum também pessoas que viveram em lares desorganizados e com traços de codependencia acabarem por reproduzir esta mesma realidade após saírem de casa, repetindo a relação vivida no lar de origem, casando-se ou relacionando-se com pessoas excessivamente carentes ou dependentes. Sendo esta forma a única que ela sabe viver, tendo dificuldade em romper o ciclo pois é algo comum e conhecido por ela.
Mediante isto dou ênfase na grande da participação da família no tratamento do dependente químico, exatamente por todos a volta do dependente estarem envolvidos e sofrendo com a situação e não sabem como agir e ainda mais preocupante não conseguem se observar e muito menos viver suas próprias vidas. A pessoa codependente está tão envolvida com o dependente e a solução dos danos causados por ele a todos que se sente sozinha ou incapaz de achar uma solução.
Aqui dou uma grande notícia a vocês, vocês não estão sozinhos nesta luta, existe milhares de pessoas passando exatamente pelo mesmo problema e uma grande palarcela destas pessoas estão buscando ajuda para o problema em grupos de auto e mútua-ajuda como AlAnon, NarAnom, Coda e Amor Exigente.
A participação nos grupos de mútua-ajuda é uma das possibilidades para encontrar ajuda, conhecimento e companheirismo, e neste ambiente é comum a(s) pessoa(s) se identificar com diferentes histórias e poder toma-las como exemplo para seus próprios comportamentos e problema.
Inicialmente frequentando as reuniões dos grupos, a pessoa codependente pode não percebe o quanto está afastada de si, não falando de si mesma, somente do dependente. No Amor Exigente a pessoa volta-se para si e percebe a importância de estar ali para si e não para o outro. Ao se deparar com histórias que deram certo e situações semelhantes, a pessoa passa a ter consciência destes comportamentos disfuncionais, como o controle e a negação do problema
No processo de tratamento o codependente percebe que a mudança é intima, que somente mudando a si pode mudar a dinâmica da relação estabelecida com o dependente. Esta busca por apoio permite que a pessoa visualize uma saída, percebendo que junto ao grupo consegue alcançar o que antes não poderia sozinha.
A partir do acolhimento do grupo e voltando às reuniões, tanto o codependente como toda a família percebem os resultados, sendo que essas mudanças ocorrem ao tempo de cada um, devendo ser um tratamento contínuo como é o do dependente. Como é dito no grupo NarAnon, “continue voltando que funciona”.
Segue um vídeo onde são entrevistadas Mara Silva Carvalho – Presidente do Amor Exigente e Romina Miranda, jornalista e coordenadora de grupos de AE (Amor Exigente).

http://www.youtube.com/watch?v=46SENC2gf8c


Boa Semana. Até o próximo post.



domingo, 1 de junho de 2014

Relação Mãe e Filho Dependente Químico

Conforme postado anteriormente, diversos são os fatores que contribuem para o desenvolvimento da adicção em um indivíduo, a relação familiar é uma delas. E o que será falado nesta postagem é a relação dos pais com a dependência química de seus filhos, destacando-se a relação maternal. Visto de desde a gestação é estabelecido um vínculo vital entre mãe e bebê de aproximadamente 9 meses, sendo este um período longo e que requer determinados cuidados e para a maioria das mães é um período de grandes mudanças e prazer imensurável.
O primeiro contato com o mundo se dá através da mãe, que passa para seu bebê todo o alimento de que este necessita e concretamente o carrega. Este vínculo pode ser positivo ou não, dependendo das expectativas em relação ao bebê e se a gravidez foi planejada ou não. Nesta relação já estão permeadas ideias sobre “ser mãe”, que podem estar associadas desde um intenso prazer até excessiva cobrança.
Em se tratando de dependência química de um(a) filho(a), é percebido que muitas mães sentem-se culpadas pela situação, em alguns casos pelo controle que o dependente sente das pessoas do seu convívio familiar e em outros pela total liberdade dada a eles. Em se tratando da educação dos filhos não há uma regra do que é mais correto, o que há é uma grande variedade de opiniões entre profissionais e quem vive na própria pele esta experiência.
Uma das características da codependência é o excesso de zelo com o outro, intensificando sua ausência em sua própria vida, podendo ser uma forma de lidar com o medo que tem de entrar em contato com seu próprio mundo interno.  Assim, o codependente também é dependente, não da droga, mas da relação com o dependente químico, do vínculo estabelecido.
A mãe codependente pode estar ainda mais afetada por esta doença, exatamente por já estabelecer com este filho um vínculo inicial, que geralmente se caracteriza pelo afeto, apego e superproteção. A relação de apego pode ser construida de forma segura ou insegura, vendo-se que a partir das respostas das pela mãe(poderia ser um pai ou um cuidador também) ao comportamento do bebê pode-se criar um ambiente onde este se sente mais ou menos acolhido. Assim, uma criança negligenciada em seus cuidados está mais exposta a desenvolver padrões futuros de insegurança e medo diante da determinadas situações.
Da mesma forma, crianças que aprendem a confiar no ambiente e tem suas necessidades atendidas de forma saudável tem maiores possibilidades de se tornar um adulto mais seguro e autônomo.
Se entendermos que a adicção tem como uma das características a desorganização interna da pessoa dependente e a dificuldade em desenvolver relações saudáveis com o mundo, vemos que quando este é o completamente dominado pelas escolhas e ideias das figuras de autoridade sobre sua vida, sua visão de escolha e responsabilidade são reduzidas. este controle juntamente com a superproteção são alhuns dos principais fatores de disfuncionalidade da pessoa dependente, pois não aprende a escolher e tomar decisões por si mesma e a superproteção impede que assuma responsabilidades que a ela cabem.
Temos que ter em mente que o primeiro modo de aprendizagem de um ser humano é a partir da observação e repetição, sendo assim, uma mãe que desenvolve a autonomia do filho, ensina o filho a se responsabilizar por suas escolhas e atos e, suas ações são baseadas comportamentalmente em si mesma e ao mesmo tempo se coloca como base segura para este, possibilita que o modelo de comportamento seja copiado pela criança, auxiliando deste modo no desenvolvimento de um adulto mais organizado internamente e apto a construir melhores relações com o mundo.
É importante lembrar que a codependencia é um doença e pode ser tratada, através de acompanhamento terapêutico e participação em grupos de mútua ajuda. Identificar o problema e buscar ajuda é uma forma de não continuar reproduzindo padrões disfuncionais de comportamento.
Este é um assunto muito delicado e de muitas controvérsias, mais continuarei trazendo informações sobre o tema pois acredito que sem uma mudança de estrutura familiar, reajuste de papeis familiares e acima de tudo preparo as chances de recuperação do dependente se tornam menores e quem perde com isto são todos.

Boa Semana a todos. Até o próximo post.

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