terça-feira, 10 de junho de 2014

Codependencia e Amor Exigente

Olá pessoal, primeiramente informo que por motivos técnicos não pude postar antes mas conforme já venho fazendo há 2 semanas aqui no blog escreverei um pouco mais sobre Codependência. O assunto não será esgotado, mas a partir do que venho falando acredito que deu para ter uma noção do quanto a doença afeta toda a família.
Todos os membros da família têm um papel essencial na recuperação do dependente e para que isto dê certo é preciso modificar e organizar a dinâmica familiar e esta é uma tarefa muito difícil já que todos os envolvidos estão emocionalmente fragilizados e com dificuldade em ver uma saída. Esta dinâmica disfuncional da família tem como base o controle da vida alheia, transferências de responsabilidade, sinalização dos erros do outro como forma de defesa e facilitações e isto impede que família exerça um papel adequado e eficaz.
Não só o(s) codependente(s), mas a maioria dos seres humanos têm dificuldades em assumir suas falhas, seus erros e admitir suas impotências e fragilidades fazendo assim que os comportamentos disfuncionais se perpetuem em suas personalidades. Esta proteção psicológica faz com que as pessoas passem a viver de duas formas distintas, vivendo baseadas no seu egocentrismo ou em função dos outros para não terem que olhar para si mesmas. Este segundo é o que acontece na maioria das vezes aos pais e cônjuges de dependentes.
A pessoa codependente deixa de olhar para sua vida, passa a viver em função de controlar a vida do outro e deixa de fazer as coisas que gosta por conta da outra pessoa. É uma forma de afastamento de si, negando seus problemas e voltando-se para a vida do outro. Este afastamento de si traz consigo comportamentos facilitadores para o desenvolvimento da própria dependência, por limitarem a autonomia do outro.
É comum também pessoas que viveram em lares desorganizados e com traços de codependencia acabarem por reproduzir esta mesma realidade após saírem de casa, repetindo a relação vivida no lar de origem, casando-se ou relacionando-se com pessoas excessivamente carentes ou dependentes. Sendo esta forma a única que ela sabe viver, tendo dificuldade em romper o ciclo pois é algo comum e conhecido por ela.
Mediante isto dou ênfase na grande da participação da família no tratamento do dependente químico, exatamente por todos a volta do dependente estarem envolvidos e sofrendo com a situação e não sabem como agir e ainda mais preocupante não conseguem se observar e muito menos viver suas próprias vidas. A pessoa codependente está tão envolvida com o dependente e a solução dos danos causados por ele a todos que se sente sozinha ou incapaz de achar uma solução.
Aqui dou uma grande notícia a vocês, vocês não estão sozinhos nesta luta, existe milhares de pessoas passando exatamente pelo mesmo problema e uma grande palarcela destas pessoas estão buscando ajuda para o problema em grupos de auto e mútua-ajuda como AlAnon, NarAnom, Coda e Amor Exigente.
A participação nos grupos de mútua-ajuda é uma das possibilidades para encontrar ajuda, conhecimento e companheirismo, e neste ambiente é comum a(s) pessoa(s) se identificar com diferentes histórias e poder toma-las como exemplo para seus próprios comportamentos e problema.
Inicialmente frequentando as reuniões dos grupos, a pessoa codependente pode não percebe o quanto está afastada de si, não falando de si mesma, somente do dependente. No Amor Exigente a pessoa volta-se para si e percebe a importância de estar ali para si e não para o outro. Ao se deparar com histórias que deram certo e situações semelhantes, a pessoa passa a ter consciência destes comportamentos disfuncionais, como o controle e a negação do problema
No processo de tratamento o codependente percebe que a mudança é intima, que somente mudando a si pode mudar a dinâmica da relação estabelecida com o dependente. Esta busca por apoio permite que a pessoa visualize uma saída, percebendo que junto ao grupo consegue alcançar o que antes não poderia sozinha.
A partir do acolhimento do grupo e voltando às reuniões, tanto o codependente como toda a família percebem os resultados, sendo que essas mudanças ocorrem ao tempo de cada um, devendo ser um tratamento contínuo como é o do dependente. Como é dito no grupo NarAnon, “continue voltando que funciona”.
Segue um vídeo onde são entrevistadas Mara Silva Carvalho – Presidente do Amor Exigente e Romina Miranda, jornalista e coordenadora de grupos de AE (Amor Exigente).

http://www.youtube.com/watch?v=46SENC2gf8c


Boa Semana. Até o próximo post.



7 comentários:

  1. Olá!
    Concordo com vc, os grupos de ajuda são fundamentais para nós familiares! Meu familiar adicto está a 425dias e não deixei de frequentar o grupo, pois sei q ainda preciso(e muito de ajuda)

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    1. Bacana Neusa... continue voltando e levando a mensagem....obrigado pelo comentário. Continue comentando as postagens e divulge o blog se possível. Abraço.

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  2. Muito bom, vemos como a força do agrupo pode ajudar no acolhimento e mostrar à família sua responsabilidade. Desenvolver a autonomia de cada um e poder respeitar as escolhas do outro, afinal amar não é controlar.
    Parabéns pelo texto! E o vídeo também é ótimo.
    Seria bacana ler um pouco a respeito de como o dependente se sente quando percebe as mudanças na família em tratamento e se dá conta de que já não é o centro das atenções. E principalmente quando há sucesso de todos se cuidarem

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  3. Respostas
    1. Olá Bernadete....obrigado pelo comentário....gostaria de saber o que mais gostou no blog ou na postagem. Abraços.

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  4. Moro em SBCampo- SP onde compro o livro azul?

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  5. Moro em SBCampo- SP onde compro o livro azul?

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